É comum ao olharmos para determinar frases acharmos que elas se resumem a um jogo de palavras. Só que essa visão se transforma quando paramos para analisar o que está escondido atrás delas.
Um exemplo é o pensamento de Erich Fromm, psicanalsita e filósofo alemão. Ele foi o responsável por transformar tal diferença em um dos pensamentos mais conhecidos no que diz respeito aos relacionamentos: "O amor imaturo diz: 'Eu te amo porque preciso de você'. O amor maduro diz: 'Eu preciso de você porque te amo'".
Essa reflexão faz parte do livro "A Arte de Amar", lançado em 1956 e que se tornaria um dos mais famosos de Fromm. Passados 70 anos, o pensamento ainda é levantado quando se fala tanto de relacionamentos quanto de dependência emocional e vínculos afetivos.
Mas por que isso acontece? A explicação não tem nada de complexo. Pelo contrário, é algo bem simples, contudo traz consigo um incômodo. Amamos uma pessoa por quem ela é? Ou nós a amamos porque necessitamos de algo nessa pessoa?
Na visão do psicanalista, o amor não pode ser entendido somente como um sentimento espontâneo e sim como uma capacidade que traz consigo exigências em relação ao aprendizado e à vontade e a prática. Para Fromm, quando se ama ao mesmo tempo tem que existir cuidado, respeito, conhecimento sobre quem ama e a pessoa tem que passar a se tornar responsável sobre quem ama.
Dessa forma, o filósofo colocava em pontos diferentes o desejo de querer alguém por conta da carência e firmar uma relação que parte de uma escolha feita de forma consciente. No primeiro lado, o centro da relação tem a necessidade, enquanto que no outro extremo o afeto está presente sem apagar a individualidade de cada um.
É possível, portanto, dividir em três partes:
- Amor imaturo: parte do princípio da necessidade
- Amor maduro: antes de sentir vontade de compartilhar vem o afeto.
- Vínculo saudável: a proximidade não está relacionada à anulação da autonomia.
O filósofo ainda fez uma relação da capacidade de amar à chance de ficar só. No mesmo livro "A Arte de Amar" refletiu: "Paradoxalmente, a capacidade de estar só é a condição indispensável para a capacidade de amar".
"O paradoxo do amor é ser um mesmo sem deixar de ser os dois". Na visão do filósofo, essa oposição tem relação com a condição de manter a integridade e a individualidade sem causar prejuízo ao parceiro/à parceiro. Muito ao oposto disso, se estimula a relação a crescer.
Pensando nisso, amar não é o mesmo que fazer da parceira/do parceiro o único lugar onde estejam a segurança, a felicidade ou o sentido. É preciso ver que a outra pessoa é independente e mesmo diante disso resolver firmar uma relação.
Quando pensamos nas frases mais célebres do alemão logo lembramos de
- "Amar alguém não é meramente um sentimento poderoso. É uma decisão, é um juízo, é uma promessa"
- "O amor é a preocupação ativa com a vida e o crescimento daquilo que amamos"
- "O amor é um poder que produz amor"
- "A condição principal para a conquista do amor é a superação do próprio narcisismo"
- "O amor imaturo diz: ‘Eu te amo porque preciso de você’. O amor maduro diz: ‘Preciso de você porque te amo"
Os pensamentos de Erich Fromm mostram-se atuais mesmo com os relacionamentos tenham passado por transformações desde 1956. Porém, uma pergunta segue sem resposta: como construir vínculos nos quais amar não implique deixar de ser si mesmo?